A ocorrência de períodos com temperaturas mais elevadas, alterações nas condições meteorológicas, e o aumento da intensidade e frequência de eventos extremos, representam um vasto leque de consequências, entre elas, afectam directamente a disponibilidade e a distribuição da água, assim como as reservas de água subterrânea.

Actualmente vão-se começando a considerar indicadores que apontam para alterações nos caudais dos rios Europeus, concretamente com a diminuição nos países mais a Sul e o aumento nos países do centro-Norte, assim como alterações acentuadas na sua variabilidade sazonal. E, é assim incontornável quequaisquer alterações nos padrões climáticos, irão forçosamente modificar a distribuição da produção agrícola, obrigando à deslocação do potencial agrícola para latitudes mais elevadas, considerando que as regiões mais a Sul ficarão mais susceptíveis a eventos extremos de seca, o que diminuirá drasticamente o seu potencial produtivo.

Ou seja, este cenário preditivo é extremamente sério, por todas as implicações que lhe serão consequentes. Contudo, dá-se aqui ênfase a um impacte directo que terá na economia e lazer das sociedades. Fala-se do negócio e degustação do elixir cerveja!

Que relação existe entre a cerveja e alterações climáticas?

Depois da água e do café, a cerveja é a terceira bebida mais popular no mundo. É uma bebida alcoólica, produzida a partir da fermentação de cereais, especialmente a cevada.

Ora, em Portugal, particularmente na região Alentejana, a cevada é geralmente uma cultura de rotação com o girassol e o trigo, cultivadas em condições de sequeiro, sendo de realçar que esta técnica de rotação cultural aumenta a sustentabilidade dos sistemas culturais. Mas, um aumento na média das temperaturas, na ocorrência de eventos extremos com temperaturas elevadas, influirá nos sistemas agrícolas, nomeadamente encurtando o ciclo de crescimento das culturas, o que implicará uma redução da sua produtividade.

Isto é, com a diminuição da matéria-prima e eventuais quebras de produção, o preço de comercialização da cevada aumentará exponencialmente, podendo transformar uma bebida popular, transversal em estratos sociais e culturais, num néctar de elites.

Curiosamente, só cerca de 17% da cevada produzida no mundo é usada para fabricar cerveja, sendo o grosso da produção destinada a alimento de gado. Ora, aqui adensa-se ainda mais a problemática, considerando a abusiva cultura consumista que se vivencia, a demanda por carne animal assume cada vez mais patamares que intensivamente pressionam a sua produção massiva, criando um perigoso e acelerado ciclo.

A escassez é sempre o móbil da origem de conflitos!

  • Quão difícil poderá ser, optar por privilegiar a poderosa cadeia de negócio estabelecida pelos produtores de gado, em detrimento da utilização do grão cevada para a produção de cerveja?
  • Mudar hábitos, ou adaptar as culturas em função das condições edafoclimáticas dos territórios, ou agregar as duas hipóteses numa inteligente e eficaz medida, visando o equilíbrio Homem-Planeta?
  • Ou, simplesmente escolher entre alimentar animais com fome, ou “alimentar” Homens com sede?

É assim cada vez mais premente uma gestão eficaz dos recursos hídricos, em prol de motes como a produção agrícola, a segurança alimentar, o abastecimento público e saneamento, a saúde e a própria sustentabilidade ambiental, no sentido de serem minimizados os impactes dos efeitos de alterações nos padrões climáticos.

Alterações nos padrões climáticos, alterarão a nossa qualidade de vida e afectarão determinante e incontornavelmente o nosso dia-a-dia! Vai sendo tempo de começar a praticar a “adaptabilidade”!

Mónica Barbosa


Tags: cerveja
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